Domingo, 18 de Junho de 2006
SIMLIS na despoluição do rio Lis
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   A SIMLIS (Saneamento Integrado dos Municípios do Lis, S.A.) tem como principal objectivo deliberar sobre os problemas relativos à poluição e à revalorização ambiental do rio Lis. Tem em vista a melhoria da qualidade de vida e ambiental das populações da região que usufruem do saneamento que disponibiliza. Esse saneamento visa também resolver os problemas da poluição industrial e das suiniculturas.

   Perante os problemas levantados pelo rio Lis, chamado por vezes “rio Lixo” pelos cidadãos leirienses, resolvemos entrevistar um responsável da SIMLIS, visto ser esta a empresa que trata da despoluição do rio. Eng. Cláudio de Jesus, administrador-delegado da SIMLIS, respondeu prontamente ao nosso pedido e concedeu-nos uma entrevista que nos esclareceu em diversos aspectos.

 

Cyberalfa (doravante C.) - É apenas a SIMLIS a responsável pelo saneamento básico da população da região que abrange ou há outra entidade mediadora?

Eng. Cláudio de Jesus (doravante C.J.) - Há uma parceria entre duas entidades, mas em que a SIMLIS tem um papel muito mais crucial em termos de despoluição. Temos a Câmara, que serve directamente a população, e temos a SIMLIS, que faz o tratamento da água que vai parar aos seus emissários e os volta a colocar na rede de saneamento dos municípios.

 

C. - A SIMLIS é reponsável pela despoluição do rio Lis, mas que poluição é na verdade tratada?

C.J. - No projecto global de despoluição do rio Lis identificaram-se três tipos de poluição: poluição dos esgotos domésticos não tratados, poluição dos esgotos do sector agropecuário (suiniculturas) não tratados e poluição difusa. A poluição dos esgotos domésticos não tratados digamos que representa um quinto de toda a poluição e a poluição dos esgotos do sector agropecuário não tratados representa quatro quintos. Estes dois tipos de poluição são os que mais afectam o rio Lis e apenas uma milésima parte diz respeito à poluição difusa, que é relativa à excessiva utilização de adubos, insecticidas e fertilizantes na agricultura que, por acção da chuva, são lixiviados e mais tarde escoados para os rios. Assim, este tipo de poluição não tem um foco bem definido, pelo que actuamos mais frequentemente na resolução dos dois primeiros.

 

C. - Que medidas estão a ser tomadas tendo em vista a despoluição do rio Lis?

C.J. - Estão a decorrer obras que serão concluídas no primeiro trimestre de 2008, obras essas que visam resolver o problema da falta de redes de saneamento básico e, assim, melhorar o tratamento dos esgotos domésticos não tratados, isto porque actualmente de tudo o que é produzido na região só se consegue tratar sessenta por cento, ficando os outros quarenta por cento por tratar. Esperamos que em 2011 seja possível cobrir a cem por cento o terreno, através da realização de outras intervenções. Foi também criada uma empresa, denominada RECILIS, constituída por agricultores e outras pessoas ligadas ao ramo da suinicultura, que vai construir uma grande estação de tratamento de águas residuais provenientes das suiniculturas. Esta estação tem como principal objectivo tratar as águas resultantes dessas explorações. Prevê-se que este empreendimento começará dentro de um ano e que terminará em finais de 2008, portanto estima-se que demorará cerca de um ano e meio.

 

C. - A ETAR de Coimbrão vai resolver todos os problemas?

C.J. - Nós denominamos a ETAR de Coimbrão ETAR do Norte, e é a ETAR principal. Não podemos dizer que vai solucionar todos os problemas, pois a sua resolução passa por um complexo sistema de redes de emissários, estações elevatórias e ETAR’s. Podemos dizer, isso sim, que o facto de existir possibilita-nos um tratamento que supera todos os outros existentes na região antes da sua construção, dada a sua evolução tecnológica, sendo ela a maior ETAR da Região Centro. Esta ETAR vai ser ainda mais importante no futuro pois é ela que vai receber o emissário proveniente da nova ETAR das suiniculturas que, como já referi, vai ficar concluída em finais de 2008.

 

C. - Ouvimos frequentemente críticas aos cheiros provenientes da ETAR de Olhalvas, sobretudo por parte das pessoas que habitam junto dela. Haverá possibilidade de inverter esta situação?

C.J. - Isso só acontece porque, na minha opinião, a ETAR de Olhalvas foi construída num lugar inadequado. É certo que na época a cidade ainda não se tinha expandido para ali, mas era de prever tal facto. Ela apenas emana maus cheiros porque, durante a sua edificação, não existia tecnologia adequada para a filtração dos gases, o que hoje em dia já foi superado. Exemplo disso é o facto da ETAR do Norte já estar a ser construída com esses cuidados de construção. Assim, de forma a responder ao apelo da população, a partir do próximo mês vai ser começada uma desodorização da ETAR de Olhalvas, de forma a minimizar os maus odores que são produzidos.

 

C. - Prevêm algum reaproveitamento dos resíduos das ETAR’s a nível energético?

C.J. - Através de um processo denominado digestão anaeróbia faz-se um aproveitamento de uma fonte de energia das ETAR’s. Essa energia destina-se a ser utilizada pela própria ETAR, o que no caso da ETAR do Norte tornar-se-á bastante vantajoso, na medida em que ela atingirá a auto-suficiência em termos energéticos. Assim, não será necessário comprar energia do exterior.

 

C. - Sabemos que já trabalhou também na Valorlis. Aí, em que medida é vantajosa a produção de energia relativamente à produzida nas ETAR’s?

C.J. - Num aterro sanitário a energia produzida é muito superior à produzida numa ETAR. Como as camadas inferiores de lixo ficam sem oxigénio, também aí se realiza a digestão anaeróbia, ocorrendo um processo de fermentação que leva à decomposição. Consegue-se extrair o biogás produzido e produz-se energia que daria para fornecer cerca de duas mil e duzentas famílias. Logo aí se vê como a quantidade de energia produzida é comparativamente muito superior.

 

C. - Face aos esforços desenvolvidos iremos ter novamente Bandeira Azul na Praia da Vieira, à semelhança do que acontecia há uns anos atrás? E quando?

C.J. - A Praia da Vieira não tem Bandeira Azul porque a Câmara não se candidata a recebê-la, simplesmente porque não concordam com os critérios de atribuição, com os quais eu também não estou de acordo, o que não quer dizer que se se candidatassem a teriam. Os critérios de atribuição de Bandeira Azul incluem análises feitas à água no ano anterior, o que para mim é incorrecto. Mesmo assim,  estimamos que no ano de 2010 teremos o rio totalmente limpo e a praia apta a concorrer a uma Bandeira Azul.

 

C. - Sabemos que a legislação obriga a um estudo do impacto ambiental. A que é que esse estudo obrigou na ETAR do Norte?

C.J. - No caso da ETAR do Norte, esse estudo demorou cinco anos. No âmbito desse estudo, o ruído produzido pela ETAR obrigou à insonorização dos locais onde este se gera e a emissão de odores foi acautelada, na medida em que se identificaram as zonas onde os gases são emitidos e se procedeu à filtração do ar, que passa a chegar inodoro ao exterior. Como a ETAR do Norte é uma obra de grande dimensão (ocupa cerca de seis hectares de terreno, o equivalente a seis campos de futebol), irá também ser construída uma cortina arbórea para não afectar a paisagem.

 

C. - De forma a espalhar a mensagem de que a água deve ser poupada, que tipo de campanhas de sensibilização é que a SIMLIS realiza junto da população?

C.J. - Realizamos todo o tipo de campanhas, desde campanhas que atraiam os jovens a campanhas institucionais. Por exemplo, nesta altura do ano, para tirar partido do Verão e da grande afluência às praias, iremos realizar jogos didácticos sobre a água. De todas as nossas intervenções junto da população, a que tem tido mais sucesso é a Regata nas Cortes, que conta todos os anos com centenas de participantes e milhares de expectadores.

 

C. - Para finalizar, considera este tipo de acções importante?

C.J. - Sim, na minha opinião são fulcrais pois considero importante motivar todas as gerações.

 

Fonte: Este post foi integralmente escrito com base na entrevista feita, sem recurso a websites

Fonte da Imagem: Ambiente e Recursos Naturais

 

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