Domingo, 18 de Junho de 2006
Ferro-velho, uma realidade a ultrapassar

   Há muito que o ferro-velho instalado na Calçada do Bravo, periferia de Leiria, representa um tema controverso na região.

   Na verdade, constitui já uma imagem de marca da cidade, que recebe os seus visitantes com um cenário de verdadeira ameaça ao ambiente, facto que é de lamentar.

   É, para nós, deveras preocupante, que tal situação se mantenha até à actualidade, sendo que sucatas como esta são, não só elementos nefastos e altamente prejudiciais para o meio ambiente, como também verdadeiros atentados paisagísticos para Leiria.

   Neste espaço encontram-se concentrados materiais altamente inflamáveis, que fizeram deflagrar incêndios por diversas vezes, exemplo de que é imperativo dar um fim a este local.

   Por outro lado, o processo de lixiviação de alguns resíduos, e consequente infiltração nos solos, conduz a uma contaminação dos mesmos.

   É de valorizar, portanto, que as entidades políticas de Leiria já tenham empreendido tentativas de abolir o ferro-velho, mediando propostas com o proprietário.

   Aguardamos, por isso, novos desenvolvimentos nas negociações, para que Leiria dê mais um passo em direcção ao progresso devolvendo a Leiria um acesso dignificante.

   Exemplo de que o nosso inconformismo com a manutenção desta situação é comum a muitos outros cidadãos leirienses, é o testemunho dado por Manuel Caetano, de setenta e dois anos, natural de Leiria.

 

Cyberalfa (doravante C.) - Encara o ferro-velho como um facto consumado em Leiria?

Manuel Caetano ( doravante M.) - Não. Apesar de desde sempre me lembrar do ferro-velho nesse local, é sempre revoltante quando entro em Leiria e verifico que ao longo de tantos anos pouco se fez para alterar a situação.

 

C. - Qual o aspecto que o inquieta mais no ferro-velho?

M. - O impacto visual, sobretudo para uma pessoa que venha pela primeira vez a Leiria e que desconheça a cidade no seu conjunto.

 

C. - Na sua opinião, o que deveria ser feito para mover o ferro-velho da zona?

M. - Penso que as entidades governamentais locais deveriam ter mecanismos legais que obrigassem, mediante a criação de condições noutro local ou indemenização simbólica do proprietário, à expropriação do terreno. 

 

C. - Qual o destino a dar a esse terreno depois de serem tomadas essas diligências?

M. - Para mim, o mais correcto seria reconverter o terreno numa zona verde para utilização pública, já que é um dos aspectos de que Leiria carece.

 

Fontes:

Jornal de Leiria

Região de Leiria

 

Publicado por Twice às 16:24
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Sábado, 17 de Junho de 2006
Nova descarga de efluentes na Ribeira dos Milagres
   Quando nos encontramos numa fase avançada da despoluição da bacia hidrográfica do rio Lis, a Ribeira dos Milagres foi, na madrugada de hoje, dia dezassete de Junho, novamente alvo de descargas provenientes de suiniculturas.
   A situação foi denunciada pela Comissão de Ambiente e Defesa da Ribeira dos Milagres às entidades policiais.
   Segundo a referida comissão, as condições meteorológicas "favoráveis" terão sido pretexto para um novo crime contra o ambiente, já recorrente na região.
   É do nosso profundo desagrado que os esforços mobilizados para a sensibilização de toda a população, nos quais intervém os próprios representantes dos suinicultores, continuem a ser deitados por terra devido à conduta pouco cívica de uma minoria.

 

Fonte: Correio da Manhã

 

Quinta-feira, 15 de Junho de 2006
Dar precedência à saúde!

   Actualmente, a preocupação ambiental é uma constante para todos os membros de uma comunidade que cumpra activamente o seu dever cívico.

   A poluição das águas é um dos temas que maior controvérsia suscita, não só em Leiria, mas também a nível nacional, originando legítimas preocupações para os cidadãos e para as autarquias.

   No entanto, a degradação dos cursos de água não se instalou subitamente. É sim o resultado do ritmo crescente do desenvolvimento demográfico e económico, não acompanhado de um planeamento rigoroso. O tão almejado “desenvolvimento sustentável” permanece, por vezes, ausente, facto que se assume cada vez mais como uma falha notória perante as consequências nefastas que vamos antevendo.  

   Os cursos de água da região, especialmente os rios Lis e Lena, atingiram um nível de contaminação de proporções desmedidas.

   Contudo, louvamos todos os esforços desenvolvidos pelas entidades envolvidas, quer na construção da ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) de Leiria e respectiva rede afluente, quer na construção de uma ETAR para efluentes das suiniculturas, entretanto desactivadas por deterioração acentuada. Aguardamos a conclusão da edificação da ETAR do Coimbrão, que esperamos que venha colmatar esta grave deficiência do conselho. As iniciativas surtiram efeitos benéficos e bem patentes no concelho mas, no entanto, estas estruturas parecem-nos insuficientes quer pela dimensão do problema que se pretende resolver, quer por tantos outros que ficam fora das actuais prioridades.

   Por outro lado, consideramos crucial alertar a população para o trajecto que os resíduos percorrem após serem abandonados. É importante a consciencialização, ainda inexistente, para os efeitos nefastos que um tratamento incorrecto dos resíduos pode acarretar, sendo exemplo disso a situação dos cursos de água que banham Leiria.  

   É imperativo solucionar o destino dos efluentes domésticos de quase todas as aldeias do concelho, e dos efluentes das suiniculturas sem viabilidade económica para drenar os efluentes para a ETAR. Enunciamos mais algumas nuances das fontes poluidoras da nossa região:

  • A indústria, que além de grande consumidora de água, é também origem da sua contaminação, quer pela lavagem de equipamentos, óleos usados, soluções de metais pesados, e muitos outros. Todos eles já isolados nas águas do Lis (crómio, chumbo, cádmio) e até na rede publica de abastecimento de água (ferro, chumbo e manganês). No nosso concelho existe apenas uma indústria de reciclagem de óleos, localizada nas imediações de uma zona residencial, alvo de muitas reclamações e que tem o seu futuro comprometido. Será mais uma empresa deslocalizada que irá implicar o transporte dos resíduos. Desde que assegurados os mecanismos de controlo ambiental é preferível ter uma indústria de reciclagem do que manter o actual status de impunidade relativamente à poluição ambiental.
  • A indústria de reparação de automóveis, por mais simples que seja, produz resíduos de tratamento de superfícies, resíduos inflamáveis, óleos, resíduos oleosos, baterias usadas, solventes e desengordurantes. Quantas oficinas de automóveis existem no Concelho?
  • Todas as gráficas utilizam soluções com metais pesados, tintas de impressão, solventes, etc. Quantas gráficas existem na Cidade?
  • As lavandarias produzem lamas de solventes tendo como destino certo a rede pública de saneamento básico. Quantas lavandarias existem na Cidade? Que produtos utilizam?
  • Os laboratórios de análises clínicas são produtores de pequenas quantidades de resíduos perigosos. Deve exigir-se controlo rigoroso na eliminação dos seus resíduos.
  • Os fertilizantes e pesticidas usados em maior ou menor quantidade na agricultura, apenas dependendo do bom senso dos agricultores e não da real necessidade dos terrenos, continuam a ser conduzidos aos cursos de água ou à infiltração nos terrenos.

   A preocupação é certamente de todos nós, mas especialmente para aqueles que não reconhecem a poluição das águas doces, atrevemo-nos a mostrar algumas imagens já anteriormente divulgadas na comunicação social.

Rio com Espuma   O bem-estar e o bom estado de saúde só se conseguem com um ambiente limpo e equilibrado. O ambiente é considerado um recurso de saúde. A saúde é apenas compatível com um ambiente saudável. Se interesses económicos se têm vindo a sobrepor à preservação do bom equilíbrio do ambiente, do bem estar e da saúde, isso também se deve à fraca intervenção de todos nós e ao grande deficit de cidadania que entre nós é avassalador.

   A escassez de água potável é já uma realidade, que só por si afecta directamente a saúde. A água que bebemos não pode ser tratada de tal modo que em vez de um produto natural se torna num produto químico.

   A poluição dos cursos de água traduz-se negativamente na saúde das populações, de forma directa. Aceita-se hoje o carácter ambiental dos factores de risco das principais doenças dos nossos dias, nomeadamente as cardiovasculares, cancros, doenças respiratórias, etc. Um pequeno incremento nas variáveis de risco ameaça sempre um grande número de indivíduos.

   As gastroenterites, as parasitoses (grande problema das zonas rurais), a Hepatite A, a febre tifóide e a cólera são doenças facilmente reconhecidas como de origem hídrica.

   Mas a contaminação cumulativa por metais pesados, das espécies consumíveis pelo Homem, como os peixes e vegetais, pode estar na origem das doenças responsáveis pelas principais causas de morte, constituindo o envenenamento silencioso da população.

   Os nitratos, introduzidos nos lençóis de água pela má prática agrícola, afectam principalmente as mulheres grávidas e as crianças com menos de seis meses, sobretudo quando os biberões são preparados com água contaminada com nitratos (50 mg/litro). Admite-se que fortes teores de nitratos podem ter um papel importante na hipertensão arterial e na formação de substâncias cancerígenas no estômago.

   Afirmamos que não se pode travar o desenvolvimento, mas é imperativo que se opte por um crescimento socio-económico sustentado, resultante de decisões consensuais em que os interesses ambientais tenham um papel representativo importante.

   Optar conscientemente é um imperativo e por isso quem reage às agressões ao meio não pode ser tomado como agente de bloqueio. Se for vital a construção de um aterro sanitário, de uma ETAR ou até de uma incineradora, a discussão deve centrar-se apenas na sua localização, sendo um facto adquirido que será usada a tecnologia menos poluente.

   Para concluir, e na esperança de conseguir agregar vontades em redor de um objectivo, não hesitamos em citar um dos princípios da "Carta Europeia de Ambiente e Saúde" subscrita por Portugal em 1989, que coloca a saúde no lugar que lhe compete: "A saúde dos indivíduos e das comunidades deve ter clara precedência sobre as considerações económicas e comerciais".

 

   Fontes:

   Guia Informativo do Ambiente – Ministério do Ambiente e Recursos Naturais 1990

   Agenda 21 Local de Leiria – Diagnóstico Ambiental: breve síntese, Setembro 2004.

   Tratamento de águas para abastecimento – Concelho de Leiria – Beatriz Proença Vaz, Setembro 2003

   Carta Europeia de Ambiente e Saúde, aprovada em Frankfurt, Dezembro 1989

   Plano de Acção Europeu ambiente e Saúde 2004-2010

 

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